Socialistas e Democratas europeus pedem a Bruxelas para esclarecer normas de Schengen
O Grupo dos Socialistas e Democratas (S&D) do Parlamento Europeu pediu numa carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para "intervir imediatamente" para esclarecer as normas do espaço Schengen.
Os social-democratas europeus enviaram no sábado a carta à presidente Von der Leyen "na qual a instam a intervir imediatamente para esclarecer as normas que regem a suspensão do espaço Schengen por parte dos Estados membros na decorrência dos acontecimentos ocorridos em Ceuta", explicaram num comunicado.
A vice-presidente do S&D, Ana Catarina Mendes, questionou na mesma mensagem os "fundamentos objetivos" para justificar a reintrodução de controlos nas fronteiras internas, depois de Von der Leyen confirmar que não houve movimentos de Ceuta para a Espanha continental e a União Europeia (UE).
Por isso, instou a Comissão a "esclarecer se, de fato, foram cumpridas essas condições legais e, caso contrário, a exercer plenamente o seu papel de guardiã dos Tratados".
O grupo europeu expressou ainda a sua preocupação com "a deturpação deliberada por parte de certos governos (...) ao aproveitar a situação para fins políticos".
Além disso, acusaram a direita e a extrema-direita de reagir a "pedir o encerramento das fronteiras", em vez de mostrar "solidariedade e apoio a Espanha".
"Isso representa um grave precedente, derivado da decisão da Itália, que abre a porta a uma possível manipulação do Direito europeu ao serviço das agendas políticas e dos interesses de governos concretos (...) colocando em questão o próprio princípio de responsabilidade europeia partilhada", manifestaram os social-democratas.
Por sua vez, o Partido dos Socialistas Europeus (PSE) também se manifestou em defesa do executivo espanhol e apontou "a confusão generalizada, alimentada por afirmações falsas sobre a política migratória de Espanha e as consequências jurídicas de uma sentença recente do Tribunal Supremo espanhol".
Nesse sentido, condenaram "as campanhas coordenadas de desinformação, amplificadas por atores dos Estados Unidos, Israel e da extrema-direita europeia".